IRPF e Tesouro Direto: como declarar, alíquotas e o que poucos investidores sabem

Pessoa analisando extrato do Tesouro Direto ao lado de declaração de IRPF no computador

Por Equipe Rolmyjun Contabilidade • • ⏱️ Leitura: 6 minutos

Você investiu no Tesouro Direto em 2025 e agora chegou a hora de declarar. A maioria dos investidores sabe que existe imposto — mas poucos sabem exatamente quanto pagaram, onde lançar na declaração e, principalmente, qual erro silencioso pode gerar inconsistência com a Receita Federal.

A boa notícia: o IR do Tesouro Direto é retido na fonte automaticamente. A má notícia: você ainda precisa declarar — e declarar no lugar certo.

📌 Neste artigo você vai ver: a tabela de alíquotas regressivas, passo a passo de onde declarar no programa do IR, os erros mais comuns e uma informação sobre o “come-cotas” que a maioria dos investidores ignora.

Tesouro Direto tem Imposto de Renda?

Sim — e sem exceção. Todos os títulos do Tesouro Direto são tributados pelo Imposto de Renda, independentemente do tipo (Selic, IPCA+, Prefixado, RendA+ ou Educa+).

O imposto incide sobre a rentabilidade — ou seja, sobre o que o dinheiro rendeu, não sobre o valor total investido. E a alíquota varia conforme o tempo que o título ficou aplicado.

O recolhimento é feito automaticamente pela corretora ou banco no momento do resgate ou vencimento. Você não precisa emitir DARF ou usar o Carnê-Leão — mas precisa declarar no IRPF anual.

A tabela regressiva de IR: quanto menos tempo, mais imposto

O Tesouro Direto usa a tabela regressiva de IR, igual à de outros investimentos de renda fixa. A lógica é simples: quanto mais tempo você mantém o investimento, menor a alíquota.

Prazo da AplicaçãoAlíquota de IRPerfil do Investidor
Até 180 dias22,5%Curtíssimo prazo
181 a 360 dias20%Curto prazo
361 a 720 dias17,5%Médio prazo
Acima de 720 dias15%Longo prazo ✅

💡 Estratégia inteligente: se você está próximo da marca de 720 dias de aplicação e não precisa resgatar agora, aguardar a virada pode reduzir sua alíquota de 17,5% para 15% — economia real sem nenhum esforço.

Tesouro Direto tem “come-cotas”? A resposta surpreende

Esta é a informação que separa os investidores atentos dos desatentos: o Tesouro Direto não tem come-cotas.

O come-cotas é uma cobrança semestral antecipada de IR que existe em fundos de investimento. No Tesouro Direto, o imposto só é cobrado no momento do resgate ou vencimento — o que significa que o montante total continua rendendo sobre o valor bruto enquanto você não resgata.

⚠️ Exceção importante: o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais e o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais pagam cupons a cada 6 meses. Nesses casos, o IR é cobrado no pagamento de cada cupom — e a alíquota depende do prazo desde a compra até aquele pagamento específico.

Como declarar o Tesouro Direto no IRPF 2026: passo a passo

A declaração do Tesouro Direto envolve duas fichas distintas no programa da Receita Federal. Muita gente preenche só uma — e é aí que mora o erro.

📁 Ficha 1 — Bens e Direitos (saldo em 31/12/2025)

  1. Acesse a ficha “Bens e Direitos”
  2. Clique em “Novo” e selecione o Grupo 04 — Aplicações e Investimentos
  3. Selecione o código 02 — Títulos públicos e privados sujeitos à tributação (Tesouro Direto…)
  4. Informe o CNPJ do agente custodiante (corretora ou banco onde comprou)
  5. No campo “Situação em 31/12/2025”, informe o valor de custo de aquisição — não o valor atual de mercado

📁 Ficha 2 — Rendimentos com Tributação Exclusiva (resgates em 2025)

  1. Acesse “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”
  2. Clique em “Novo” e selecione o código 06 — Rendimentos de aplicações financeiras
  3. Informe o CNPJ da fonte pagadora (agente custodiante)
  4. Lance o valor bruto do rendimento e o IR retido na fonte
  5. Esses dados estão no Informe de Rendimentos emitido pela sua corretora — disponível até março de 2026

🚨 Erro clássico: declarar o valor de mercado do título na ficha Bens e Direitos em vez do valor de custo. Isso gera uma inconsistência com o Informe de Rendimentos e pode acionar a malha fina.

Os 5 erros que investidores cometem ao declarar o Tesouro Direto

  • Não declarar por achar que o IR já foi pago na fonte — o recolhimento automático não dispensa a declaração anual
  • Usar o valor de mercado na ficha Bens e Direitos em vez do valor de custo de aquisição
  • Esquecer títulos com juros semestrais — cada cupom pago em 2025 deve ser declarado individualmente
  • Não pegar o Informe de Rendimentos da corretora antes de declarar — ele tem todos os dados prontos
  • Confundir Tesouro Direto com LCI/LCA na ficha de bens — os códigos e tratamentos tributários são diferentes

O imposto que vem antes do IR — e que ninguém conta

Se você resgatar um título do Tesouro Direto com menos de 30 dias de aplicação, vai pagar não só o IR — mas também o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

O IOF começa em 96% do rendimento no primeiro dia e vai caindo progressivamente até zerar no 30º dia. Resgatar antes do trigésimo dia é, na prática, entregar quase todo o rendimento para o governo.

💡 Regra prática: nunca resgate um título do Tesouro Direto antes de 30 dias — a menos que seja uma emergência. Após 30 dias, o IOF some completamente e apenas o IR fica.

Nenhum título do Tesouro é isento — mas existem alternativas próximas

Ao contrário de LCI, LCA, CRI e CRA, nenhum título do Tesouro Direto tem isenção de IR para pessoas físicas. Todos seguem a tabela regressiva.

Se o objetivo é isenção, os investimentos indicados são LCI e LCA (com prazo mínimo de carência), ou fundos de debêntures incentivadas. Mas é importante comparar: a isenção de IR não garante automaticamente que o rendimento líquido será maior do que um Tesouro com alíquota de 15%.

📊 Regra para comparar investimentos com e sem IR:

Rendimento Isento ÷ (1 − Alíquota IR) = Equivalente Tributável

Exemplo: LCA com 10% ao ano isento equivale a um Tesouro pagando 11,76% ao ano (com IR de 15%). Se o Tesouro pagar mais que isso, ele vence mesmo com imposto.

Perguntas Frequentes

Tesouro Direto tem desconto de IR na fonte?

Sim. O IR é retido automaticamente pela corretora no resgate ou vencimento. Mas o investidor ainda precisa declarar os rendimentos no IRPF anual usando o Informe de Rendimentos.

Qual a alíquota de IR do Tesouro Direto?

Segue a tabela regressiva: 22,5% até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; 15% acima de 720 dias.

Como declarar Tesouro Direto no IRPF 2026?

Declare o saldo na ficha Bens e Direitos (código 02, grupo 04) com o valor de custo. Declare os rendimentos resgatados em 2025 em Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva (código 06).

Tesouro RendA+ e Educa+ são isentos de IR?

Não. Ambos seguem a mesma tabela regressiva de IR dos demais títulos. Não há isenção para nenhum título do Tesouro Direto.

Declarar certo é tão importante quanto investir certo

O Tesouro Direto é um dos investimentos mais seguros e populares do Brasil — mas a declaração errada pode transformar um bom investimento em uma dor de cabeça com a Receita Federal.

O Informe de Rendimentos da sua corretora tem todos os dados que você precisa. Com ele em mãos e este guia como referência, a declaração leva menos de 10 minutos.

Você sabia que declarar o valor de mercado em vez do custo de aquisição é um dos erros mais comuns no IR de investidores?

📲 Compartilha este artigo com quem investe no Tesouro Direto e está prestes a declarar. Pode evitar uma malha fina desnecessária. 👇

Antes de enviar sua declaração, leia também

⚠️ Este artigo é informativo e não substitui orientação contábil ou jurídica. Para casos específicos, consulte sempre um contador ou especialista em investimentos.

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