Tabela comparativa rápida
Abaixo da primeira dobra, o usuário precisa “entender em 10 segundos”:
| Código | O que é | Para que serve | Onde aparece (na prática) | Erro comum |
|---|
| CFOP | Natureza da operação | Indicar o tipo de movimentação (venda, devolução, remessa etc.) | Item/Produto da NF-e | Usar CFOP “genérico” e distorcer o enquadramento |
| CST / CSOSN | Situação tributária (ICMS) | Definir como o ICMS será tratado no modelo atual | Grupo de ICMS no item | Achar que CST “substitui” tudo e ignorar transição |
| cClassTrib | Classificação tributária (IBS/CBS) | Classificar o tratamento tributário do item no novo modelo | Grupo IBS/CBS por item (conforme leiaute) | Preencher como se fosse “um código para a nota inteira” |
✅ Tabela prática: CFOP por tipo de operação (exemplos mais usados)
Atenção: os CFOPs podem variar conforme o cenário (origem/destino, se é produção própria, revenda, devolução de compra/venda, etc.). Use como referência rápida e valide conforme sua operação.
| Operação (exemplo) | Dentro do estado (5.xxx) | Interestadual (6.xxx) | Observação prática |
|---|
| Venda de mercadoria adquirida/recebida de terceiros (revenda) | 5102 | 6102 | Um dos mais usados em comércio. |
| Venda de produção do estabelecimento (indústria) | 5101 | 6101 | Quando a mercadoria é fabricada pela empresa. |
| Devolução de compra para comercialização | 5202 | 6202 | Quando você devolve ao fornecedor mercadoria comprada para revenda. |
| Devolução de compra de produção | 5201 | 6201 | Quando devolve insumo/mercadoria ligada à produção. |
| Remessa para conserto/reparo | 5915 | 6915 | Envio para conserto (a volta costuma ter CFOP específico). |
| Retorno de mercadoria recebida para conserto/reparo | 5916 | 6916 | Quando você recebeu para consertar e está devolvendo ao cliente. |
| Remessa em bonificação/doação/brinde | 5910 | 6910 | Bonificação exige atenção na tributação e regras comerciais. |
🧭 Como escolher o CFOP certo em 3 perguntas
Antes de definir o CFOP na NF-e, responda essas três perguntas básicas. Elas resolvem a maioria dos erros de enquadramento na prática.
1️⃣ A operação é dentro do estado ou interestadual?
👉 Essa é a primeira decisão e já elimina metade dos códigos possíveis.
2️⃣ A mercadoria é produção própria ou revenda?
👉 Confundir produção com revenda é um dos erros mais comuns e gera inconsistência fiscal.
3️⃣ A operação é uma venda comum ou um caso especial?
Verifique se a operação envolve situações específicas, como:
Devolução (5201 / 5202 / 6201 / 6202)
Remessa para conserto (5915 / 6915)
Retorno de conserto (5916 / 6916)
Bonificação, doação ou brinde (5910 / 6910)
👉 Nesses casos, não use CFOP de venda padrão.
📌 Dica final (regra de ouro)
O CFOP deve refletir exatamente o que está acontecendo na operação, não apenas “o que é mais comum”.
Se o CFOP estiver errado, CST, cClassTrib e até o cálculo do imposto podem ficar incoerentes.
CST (e CSOSN): o código do ICMS no modelo atual
O CST (regime normal) e o CSOSN (Simples Nacional) respondem à pergunta:
“Como o ICMS é tratado nessa operação?”
Ponto crítico em 2026
Mesmo com a transição e discussões IBS/CBS, ICMS ainda existe e o CST/CSOSN continua sendo necessário conforme o cenário e o leiaute aplicável.
Erros típicos com CST/CSOSN
Escolher CST “por hábito” e não por regra
Usar CSOSN em cenário que exige CST (ou vice-versa)
Não refletir benefícios/reduções corretamente
cClassTrib: o código que classifica o item para IBS/CBS
A cClassTrib responde à pergunta:
“Qual é o enquadramento tributário do item no novo modelo (IBS/CBS)?”
Ela é pensada para:
Padronizar classificação tributária
Facilitar validações eletrônicas
Sustentar cálculo/registro do IBS/CBS conforme evolução do leiaute
Regra de ouro
A cClassTrib é por item.
O erro mais comum é tratar como “um único código para a nota” quando itens diferentes têm tratamentos diferentes.
Como esses códigos se relacionam na prática
Pense assim:
CFOP define a operação
CST/CSOSN define o tratamento do ICMS (modelo atual)
cClassTrib classifica o item para IBS/CBS (modelo novo)
Eles não competem entre si — eles se complementam.
Exemplo prático (cenário realista)
Cenário: venda interna de mercadoria (operação padrão)
CFOP: indica “venda interna”
CST: indica como o ICMS é tratado (ex.: tributada integralmente, com redução, isenta etc.)
cClassTrib: classifica o item para IBS/CBS conforme a tabela vigente
O que validar no ERP
O CFOP está coerente com a natureza da operação?
O CST/CSOSN está coerente com o tratamento do ICMS?
A cClassTrib foi atribuída no item, e não “global”?
Checklist rápido de coerência (para evitar rejeição/risco)
Use este checklist sempre que parametrizar ou auditar emissões:
O CFOP reflete corretamente a operação (venda, devolução, remessa)?
O CST/CSOSN condiz com o cenário fiscal do ICMS?
A cClassTrib foi definida com base na tabela vigente (sem código desatualizado)?
O ERP aplica cClassTrib por item, com regras por CFOP/UF/produto quando necessário?
Itens diferentes na mesma NF-e podem ter cClassTrib diferente (e o sistema permite isso)?
Erros comuns (e como corrigir rápido)
1) “Qualquer CFOP serve”
Não serve. CFOP errado derruba o resto do enquadramento e pode gerar escrituração distorcida.
2) “CST resolve tudo”
CST/CSOSN trata ICMS. cClassTrib entra para classificar IBS/CBS (conforme a etapa do leiaute).
3) “cClassTrib é um campo da nota”
Na prática, é campo do item. Tratar como “nota inteira” é a raiz de muita inconsistência.