cClassTrib x CFOP x CST: qual a diferença na NF-e em 2026

Se você trabalha com emissão e validação de NF-e, já percebeu que CFOP, CST/CSOSN e cClassTrib aparecem em discussões diferentes — e é comum misturar as funções. Em 2026, com a transição e adequações para o novo modelo (IBS/CBS), entender essa diferença deixa de ser “teoria” e vira prevenção de erro e retrabalho no ERP.

Este guia explica, de forma prática, o que cada código faz, onde entra na NF-e e como manter coerência fiscal por item.

Tabela comparativa rápida

Abaixo da primeira dobra, o usuário precisa “entender em 10 segundos”:

CódigoO que éPara que serveOnde aparece (na prática)Erro comum
CFOPNatureza da operaçãoIndicar o tipo de movimentação (venda, devolução, remessa etc.)Item/Produto da NF-eUsar CFOP “genérico” e distorcer o enquadramento
CST / CSOSNSituação tributária (ICMS)Definir como o ICMS será tratado no modelo atualGrupo de ICMS no itemAchar que CST “substitui” tudo e ignorar transição
cClassTribClassificação tributária (IBS/CBS)Classificar o tratamento tributário do item no novo modeloGrupo IBS/CBS por item (conforme leiaute)Preencher como se fosse “um código para a nota inteira”

✅ Tabela prática: CFOP por tipo de operação (exemplos mais usados)

Atenção: os CFOPs podem variar conforme o cenário (origem/destino, se é produção própria, revenda, devolução de compra/venda, etc.). Use como referência rápida e valide conforme sua operação.

Operação (exemplo)Dentro do estado (5.xxx)Interestadual (6.xxx)Observação prática
Venda de mercadoria adquirida/recebida de terceiros (revenda)51026102Um dos mais usados em comércio.
Venda de produção do estabelecimento (indústria)51016101Quando a mercadoria é fabricada pela empresa.
Devolução de compra para comercialização52026202Quando você devolve ao fornecedor mercadoria comprada para revenda.
Devolução de compra de produção52016201Quando devolve insumo/mercadoria ligada à produção.
Remessa para conserto/reparo59156915Envio para conserto (a volta costuma ter CFOP específico).
Retorno de mercadoria recebida para conserto/reparo59166916Quando você recebeu para consertar e está devolvendo ao cliente.
Remessa em bonificação/doação/brinde59106910Bonificação exige atenção na tributação e regras comerciais.

🧭 Como escolher o CFOP certo em 3 perguntas

Antes de definir o CFOP na NF-e, responda essas três perguntas básicas. Elas resolvem a maioria dos erros de enquadramento na prática.

1️⃣ A operação é dentro do estado ou interestadual?

  • Dentro do estado → CFOP iniciado por 5.xxx

  • Interestadual → CFOP iniciado por 6.xxx

👉 Essa é a primeira decisão e já elimina metade dos códigos possíveis.

2️⃣ A mercadoria é produção própria ou revenda?

  • Produção do estabelecimento → CFOP 5101 / 6101

  • Mercadoria adquirida para revenda → CFOP 5102 / 6102

👉 Confundir produção com revenda é um dos erros mais comuns e gera inconsistência fiscal.

3️⃣ A operação é uma venda comum ou um caso especial?

Verifique se a operação envolve situações específicas, como:

  • Devolução (5201 / 5202 / 6201 / 6202)

  • Remessa para conserto (5915 / 6915)

  • Retorno de conserto (5916 / 6916)

  • Bonificação, doação ou brinde (5910 / 6910)

👉 Nesses casos, não use CFOP de venda padrão.

 

📌 Dica final (regra de ouro)

O CFOP deve refletir exatamente o que está acontecendo na operação, não apenas “o que é mais comum”.
Se o CFOP estiver errado, CST, cClassTrib e até o cálculo do imposto podem ficar incoerentes.

CST (e CSOSN): o código do ICMS no modelo atual

O CST (regime normal) e o CSOSN (Simples Nacional) respondem à pergunta:
“Como o ICMS é tratado nessa operação?”

Ponto crítico em 2026

Mesmo com a transição e discussões IBS/CBS, ICMS ainda existe e o CST/CSOSN continua sendo necessário conforme o cenário e o leiaute aplicável.

Erros típicos com CST/CSOSN

  • Escolher CST “por hábito” e não por regra

  • Usar CSOSN em cenário que exige CST (ou vice-versa)

  • Não refletir benefícios/reduções corretamente

cClassTrib: o código que classifica o item para IBS/CBS

A cClassTrib responde à pergunta:
“Qual é o enquadramento tributário do item no novo modelo (IBS/CBS)?”

Ela é pensada para:

  • Padronizar classificação tributária

  • Facilitar validações eletrônicas

  • Sustentar cálculo/registro do IBS/CBS conforme evolução do leiaute

Regra de ouro

A cClassTrib é por item.
O erro mais comum é tratar como “um único código para a nota” quando itens diferentes têm tratamentos diferentes.

Como esses códigos se relacionam na prática

Pense assim:

  1. CFOP define a operação

  2. CST/CSOSN define o tratamento do ICMS (modelo atual)

  3. cClassTrib classifica o item para IBS/CBS (modelo novo)

Eles não competem entre si — eles se complementam.

Exemplo prático (cenário realista)

Cenário: venda interna de mercadoria (operação padrão)

  • CFOP: indica “venda interna”

  • CST: indica como o ICMS é tratado (ex.: tributada integralmente, com redução, isenta etc.)

  • cClassTrib: classifica o item para IBS/CBS conforme a tabela vigente

O que validar no ERP

  • O CFOP está coerente com a natureza da operação?

  • O CST/CSOSN está coerente com o tratamento do ICMS?

  • A cClassTrib foi atribuída no item, e não “global”?

Checklist rápido de coerência (para evitar rejeição/risco)

Use este checklist sempre que parametrizar ou auditar emissões:

  • O CFOP reflete corretamente a operação (venda, devolução, remessa)?

  • O CST/CSOSN condiz com o cenário fiscal do ICMS?

  • A cClassTrib foi definida com base na tabela vigente (sem código desatualizado)?

  • O ERP aplica cClassTrib por item, com regras por CFOP/UF/produto quando necessário?

  • Itens diferentes na mesma NF-e podem ter cClassTrib diferente (e o sistema permite isso)?

Erros comuns (e como corrigir rápido)

1) “Qualquer CFOP serve”

Não serve. CFOP errado derruba o resto do enquadramento e pode gerar escrituração distorcida.

2) “CST resolve tudo”

CST/CSOSN trata ICMS. cClassTrib entra para classificar IBS/CBS (conforme a etapa do leiaute).

3) “cClassTrib é um campo da nota”

Na prática, é campo do item. Tratar como “nota inteira” é a raiz de muita inconsistência.

📌 Leitura recomendada para evitar erros na NF-e

Vai lidar com DIFAL, ICMS e transição para IBS/CBS? Então é essencial entender como funciona a cClassTrib no XML da NF-e e como parametrizar corretamente no ERP.

👉 Baixe a tabela cClassTrib 2026 em Excel e veja exemplos práticos de preenchimento no XML, regras e comparativos com CFOP e CST.

➜ Acessar o guia completo da cClassTrib 2026

FAQ — cClassTrib x CFOP x CST

cClassTrib substitui o CST?
Não. O CST/CSOSN continua sendo utilizado para tratar o ICMS no modelo atual. A cClassTrib tem outra finalidade: classificar o tratamento tributário do item no contexto do IBS e da CBS, conforme o processo de transição e o leiaute vigente da NF-e.
O CFOP substitui a cClassTrib?
Não. O CFOP descreve a natureza da operação (venda, devolução, remessa etc.). Já a cClassTrib classifica o tratamento tributário do item no novo modelo de tributação baseado no IBS/CBS. Os códigos são complementares, não substitutos.
Em 2026 toda NF-e precisa de cClassTrib?
Depende do leiaute da NF-e e das exigências vigentes para a operação e o ambiente (produção ou homologação). Por isso, é fundamental acompanhar as atualizações oficiais e manter o ERP preparado para atender às novas regras gradualmente.
Posso usar a mesma cClassTrib para todos os itens da NF-e?
Apenas se todos os itens tiverem o mesmo tratamento tributário, o que na prática é raro. O cenário mais comum é a parametrização por item ou por regra fiscal, garantindo coerência e evitando inconsistências no XML da NF-e.
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